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30 de mar. de 2012

Saudade do fogão a lenha


Paro. Analiso. Sinto profundamente. Rio. Reflito pela saudade não esperada.
Inclino-me para frente. Deposito a mão suavemente sobre as pernas.

Saudade inusitada do velho fogão a lenha.

Não pense, possível leitor, que a saudade deve-se ao frio. O dia foi quente.

O sentimento simplesmente veio e entrou sem pedir licença.

A mente lançou-se para o passado e ficou por lá dançando entre as labaredas...

Saudade daqueles minutos perto ao fogão a lenha em que a menina ignorava a realidade a sua volta e sonhava olhando o fogo. Saudade de pegar o pão caseiro, passar manteiga e deixá-lo no forno a aquecer...
Saudade daquela emoção singela de ignorar todos a volta e saborear só meus pensamentos e o calor das chamas.
Vocês dirão que sou ridícula em admitir. Mas surgiu saudade daqueles sonhos bobos e ao mesmo tempo inocentes onde eu imaginava com seria ter uma torradeira...( E não falo das elétricas. Alguém ainda lembrará daquelas torradeiras antigas de ferro?)


Oh saudade maldita. Misteriosa. Destruidora. Impetuosa....Vá....Vá logo embora.
Não leve-me a mal. Mas de mim restou apenas uma mulher com cicatrizes e elas nem foram feitas pelo fogo...

Vais rápido. Não quero que me vejas chorar. Mas...

Mas podes voltar outro dia. Se puder avisa. Não me pegues assim tão despreparada e sem nada a oferecer...
Agindo assim não és minha amiga. Não estas sendo justa. E farás isso logo com quem sempre foi tua companheira?

Saudade...Oh...Sua garota levada que nunca me dá ouvidos...
Porém...Sempre está por perto fazendo companhia....
Num vicio de jamais me preender e tão pouco libertar....

Não te magoes atoa. Já sabes que não vivo sem você. Está tudo bem... Desfaz esse beicinho e vais passear pela praia e provocar estranhos....Amanhã a gente se fala. Amanhã, se te comportares, eu prometo te contar uma história. E então poderá guardá-la com você como mais uma ponte até mim.





5 de fev. de 2012

Eu não ligo...

Eu não ligo para qualquer palavra dita.
Não me importo com o veneno solto. O que te faz pensar que ao me falar que alguém não é uma boa pessoa eu vou crer?
Por que razão achas que ao sussurar que alguém é falso eu vou acreditar?
Achas que usar o argumento de que está me avisando por gostar de mim irá me convencer?
Depois de alguns anos aprendi que ditos amigos se quer conhecem amizade. E principalmente carrego a lição básica de dar uma chance as pessoas.

Podes difamar este ou aquele. A base de minhas ações e emoções são as pessoas em si e suas atitudes comigo. Fofoca de outros para mim são como penas soltas o vento. Não podem me atingir e nem eu posso contê-las sempre...

Então não perca seu tempo comigo se fores usá-lo para maldades.

O mundo lá fora me espera. E a vida não pará.

9 de jan. de 2012

Mundo de Morpheus

Eu acordei. Acordei?
Bem, de inicio estava simplesmente num lugar com amigos. Um típico restaurante. Ouvia suas conversas e respondia. Ao mesmo tempo tentava ignorar o som ao redor. O som de pessoas comendo irrita-me.Ouvir suas conversas perturba-me. Era sempre algo sobre a vida de alguém. Ou sobre como alguém deveria viver. Um misto de fofoca maldosa e som de garfos raspando um prato. Junto a isso aquele som insuportável que faziam ao mastigar o alimento.
Em um segundo não houve mais nada. E ninguém.
Todos sumiram. O som.... esse não existia.
Em milésimos de segundos me senti bem. Porém instantes depois....Percebi que estava só num lugar em que antes ouve sons. Houve vida. Mesmo que fosse aquela que antes me desconcertava...
Estaria eu num tipo de umbral? Seria um tipo de purgatório? Ou era o paraiso?
A dúvida era o que me atormentava. Não saber se era bom ou ruim me tirava o chão....
A minha volta existia ( existia? ) somente móveis. Os únicos movimentos eram os meus e os da fumaça de meu cigarro...
O que era isso? Estava louca? Ou apenas fiquei sã?
Dúvidas. Era tudo que tinha. E descobri que era tudo que ninguém suportava ter....( descobri isso ou sempre o soube?)
Não tinha noção de tempo ou espaço. MInha própria existência era assustadora.
O que acontecia???
Logo ansiei por qualquer som. Qualquer coisa que provasse que havia algum sentido.
Seria não ter sentido em nada o sentido das coisas???
"Tudo ficará bem" me dizia mentalmente. Ficaria realmente bem ou eu queria crer nisso?
Sentia que era humana. Ou acreditava nisso. Sentia fome, frio e medo. Porém nada para acalentar isso.....
Tudo era caos.

Estaria naquele vazio de seres as respostas por quais tanto batalhei?
Na hora do desespero tudo termina. A palavra esperança não existe....
Desespero. Era isso.......Isso que cortava minha alma.....
Eu chorei. Mas quantas vezes havia chorado só. Porém naquele instante era mais que do doloroso. Era simplesmente ser. Ser isso e mais nada....
Nada. Isso era o nada? Como posso estar no "nada " e ainda ter questionamentos? Estou realmente no que chamam nada? Ou é tudo e sou tou pequena e insignificante que nao sei?

Há cura? Estou doente? Estou? Digo, existo? Existi?
O desespero traz sua irmã gêmea. O pânico...
Gritei. Terei gritado? Ou imaginei?
Então o inesperado do clichês ocorre. Aquele simples som. Que de inicio é so um sussuro,
"ei....XXX não se perdeu. Apenas estas inevitavelmente se encontrando".
Olhei procurando a origem do que ouvi. Mas realmente ouvi? Ou minha mente me pregava peças?
Quem sou eu, me pergunto. Sabendo que todos se perguntam isso. Todavia como sei? Afinal quem é esse todos?
O pânico aumenta. A sensação de ter respostas sem as ter definitivamente me faz sofrer....
"Tudo é escolha" eu escuto...
Escutei ou disse a mim mesma?
Eu só queria acordar. Ou voltar a dormir.
Eu já dormi? Eu terei algum dia realmente acordado.....
Eu............???

Morpheus??

(...)

25 de out. de 2011

Reticências Eternas

Normalmente as pessoas se negam a encarar seus lados mais sombrios. Isso é o natural. Mas seria o certo? Pergunto-me isso porque tenho a tendência a observar meu lado obscuro. E não são os defeitos que mais me assustam. São as dúvidas. Antigamente temia que meu lado mais negro fosse não temer a morte. Claro que a vi apenas no semblantes de pessoas que amava ou que apenas conhecia. E sempre afirmo que não temo a morte e sim a decrepitude da vida... Porém, sinto isso aos 30 anos e supostamente saudável. Mudarei de ideia mais adiante? Não sei...
Hoje posso afirmar tranquilamente que me apavora saber que alguém que eu goste esteja numa situação delicada de saúde. Tenho impulsos de enfrentar o mundo e fazer de tudo para ajudar. E convenhamos, por mais que queiramos ajudar alguém numa situação dificil, não somos médicos e tão pouco curandeiros. O máximo que fazemos é estar perto e dizer: Ei, estou aqui e você não está só. Contudo, até que ponto podemos estar juntos? Até que ponto isso é saudável, quando sinto que parte de mim se esvai? Ou até onde essa reflexão tem sentido, quando um alguém novo chega e conquista sua afeição te trazendo algo a mais?
Talvez eu devesse ver mais televisão. Quem sabe assim não ficasse a refletir sobre questões que não me trazem respostas exatas. A existência não é matemática. Não temos controle sobre ela. Podemos tentar somar e ao chegar no resultado vermos que fomos subtraidos. Acabaram por tirar de nós algo precioso e não há meio de recuperar. Ou podemos dividir e descobrir que no fim multiplicaram-se emoções boas...
E ainda tem o outro lado. Há pessoas que amamos, porém devido as circunstâncias da vida não permanecemos ao seu lado. Algumas no máximo mantemos um contato telefônico. Então por que mesmo "distantes" sofremos tanto por tais seres?
E se não bastasse tantas dúvidas, existem ainda outro ponto. Aquele onde alguém te machuca tanto que nos afastamos para poder sobreviver. Todavia não odiamos. Mantemos aquele amor guardado e muitas vezes renegado. Apegados a momentos ilusóriamente maravilhosos...
Pior do que pensar em tantas coisas sem ter resposta é ter a certeza de que nunca deixará de analisar, de questionar e lamentar ser tão pequeno na existência. Vivendo assim uma busca eterna....
Uma agonia eterna.
Reticências eternas...


4 de set. de 2011

Lembranças...

Ele gritava por ajuda. Embora eu ouvisse não conseguia encontrá-lo. Fechei os olhos e me concentrei apenas nos sons. Havia lido que isso melhorava a audição. Sai dos trilhos e fui calmamente procurando ele naqueles matos e roseiras que na época existia em volta da "linha do trem".
O encontrei. Ele estava tremendo. Tinha o corpo úmido. E os olhos tristes e desesperados. De uma forma que eu não explicaria com palavras me identifiquei com ele. Foi nesse dia, creio eu, que descobri meu amor por felinos.
Levei-o para casa. E agora era assustador ter que falar com minha mãe que eu havia adotado aquele gatinho de pelos amarelos. Minha mãe nunca foi do tipo emotivo ou sentimental. As horas que ela passava lavando roupas naquele tanque velho a deixou tão rígida quanto o outro tanque de pedra.
Todavia eu não podia esconder o gatinho. E nem abandoná-lo. Criei coragem e contei sobre o felino. Após algumas palavras ríspidas e a fúria controlada minha mãe deixou o "Alemão" ficar. Nome escolhido por ela...
Um tempo depois...Talvez um ano após esse fato, cheguei da escola e me deparei com uma cena terrível. Um gato havia sido enforcado. E estava ainda na corda. Não sei quando tempo permaneci olhando. Até que comecei a chorar. Minha mãe surgiu do nada, brigando por causa da choradeira. Apenas consegui perguntar a ela onde estava o "Alemão". A resposta foi um simples "tá por ai". Quis ir procurá-lo. Precisava ter certeza de que estava bem. Entretanto a ordem veio direta: " - Para de chorar e leva esse gato morto e deixa pra lá da caixa de água.
Esse foi dia em que me distanciei da mãe pela primeira vez.

Tentei pegar o pobre bichano. Contudo estava pesado de mais. E eu era só uma criança. Pedi a mãe que o enterrasse. Era o mínimo que ela podia fazer, após ter cometido aquele crime.
A bronca veio e a segunda ordem: - Puxa o gato por essa corda.

A sensação que tive ao levá-lo é indescritível. Doloroso de mais. Sempre amei os animais. Naquele dia passei a detestar qualquer tipo de crueldade contra eles.

Lembrei de tudo isso hoje ao caminhar pelos trilhos que passam no fundo da casa da minha mãe. Lembrei isso porque logo viajo e não deixo a minha gata Bastet para trás por nada. Lembrei disso porque vou me afastar ainda mais da minha mãe..... Se é que um dia fomos próximas.

27 de ago. de 2011

Então senhor Criador, cadê o meu abraço?

Pensar sobre a existência de Deus perturba meu juízo.
Eu gosto da idéia Dele. Mas acreditar cegamente ou aceitar sem questionar me é impossível.
Digamos que alguém me prove que Deus existe. Certo? Mas não vem com argumentos parecidos com: “ Você é a prova de que Deus existe. A vida é. Ou o amor é prova de Deus”.
Porém hipoteticamente alguém me provou que o Arquiteto de Universo existe. Isso me acalmaria o espírito? Bem capaz, como diz o gaúcho. Aí é que eu teria mais questionamentos.

Como Ele é? É uma energia? Sempre digo que desconfio que Deus exista na energia boa de duas pessoas... Ou é aquele estereótipo, um homem vestido de branco e barbas ?
Quando eu oro que jeito tem o cara do outro lado? Ah...eu não oro. Não da forma convencional. Eu tenho longas conversas cheias de reticências com Deus. Chamo de conversa mas parece mais um monólogo. E aí, bem aí leitor, existe o ápice da minha loucura. Se não tenho a certeza absoluta de Deus por que razão fico conversando com Ele? Quer dizer, vivo em conflito com duas partes de mim. A que quer mais provas e a outra que toma um vinho e conversa com o criador.
Será que eu tenho algum tipo de inteligência adormecida? Uma sabedoria que dorme e por vezes fala comigo? Ou me faz sentir essas intuições e sentimentos?
Mas voltamos a Alá...

Ele existindo ( sério, tenho a boa intuição de que exista) porque é tão...misterioso?
Ele é o criador, concorda? Criou a você, a mim, aos animais, e também aquela pessoa mala....
Agora....Por que? Por que!!!! Ele todo poderoso estava entediado? E nos criou?
Qual o objetivo?
Somos algum tipo de big Brother para ele passar o tempo?

Voltemos no tempo. Acompanha-me nesse retrocesso. Mas voltemos ao pricípio, Antes do Big Bang. Numa bela tarde ( supondo que as tardes já existiam) estava o senhor Deus sem muitos afazeres. Ele era só. ( Dizem). O alfa e o Omega decide começar a criação. E viu que era bom criar. Num estalar de dedos BUMMM, o bing bang....e milhões de anos após estou em frente do note questionando esse estalar de dedos.
Uma vez comentei que somos arrogantes de mais e toda nossa existência poderia ter começado com um espirro celestial. Não deu tempo de pegar o lenço e evitar essa coisa toda....

Todavia ali está a criação. Foi de caso pensando que somos o que somos? Ou ele começou e deixou as coisas evoluírem até a nossa existência?

Deus nos ama. Ama? Quero dizer.... Eu posso sentir esse amor? Muitos dirão: Deus te ama e te mostra todo dia ao acordar um belo sol. Deus está na chuva...Ou Deus está nas dádivas que temos....Peraí, eu entendo isso..Mas não está faltando nada? Além das explicações que tanto anseio...falto algo mais. Como explicar isso a você. Quando gosto de alguém, gosto de abraçar. De ouvir a voz. De conversar. De dar um bom dia ou boa tarde. Então senhor Criador, cadê o meu abraço? Já me deu e eu sou tão insignificante que não percebi?

Espero que o Senhor não se ofenda. Ele pensou que podia criar tudo e ninguém ia questionar?

Já debati sobre Deus muitas vezes. Já escrevi muitas vezes....E agora que fui até lá fora e ao voltar reli o que digitei...Noto que tudo que eu li sobre filosofia, sociologia, psicologia, misticismo, etc...Tudo não foi nada. Nada capaz de me responder. Todas as pessoas que conheci, com quem vivi e muito aprendi também não bastaram.
E fico observando a minha frase: “Então senhor Criador, cadê o meu abraço”?
É...estou carente de um abraço do criador. Então...se a carência dessa abraço existe logo Deus existe? Não é?

Eureca! Ta aí leitor. Deus nos criou porque estava carente. Sentia-se só. Só pode....Mal sabia ele que isso ia dar “ muito pano pra manga”. Ou sabia?

21 de ago. de 2011

O primeiro cafajeste a gente nunca esquece

Momento de confissão: a gente sempre gosta em algum momento da vida de um homem cafajeste. E há casos de mulheres que vivem a escolher cafajestes e reclamar da sorte.
O primeiro cafajeste que conheci foi aos 15 anos. Ele nunca ia as aulas, quase deixava maluco o pai dele, que era pastor evangélico. Tinha um jeito de andar típico do malandro. Aquele ar despojado que diz: “ To nem ai para nada”. O que aconteceu? Paixão! Lógico!

O rapaz em questão era totalmente meu oposto. Mas quem disse que isso não apimenta mais as coisas?
Depois de muitas conversas, risos, recuos e aproximações começamos a “ficar”. Na época era ficar e não namorar. E hoje “o ficar” tornou-se banal. Ficam uma noite, uma hora, uma transa....Mas retornemos ao cafajeste.

Esse tipo de homem te desperta paixões malucas porque simplesmente te tira da rotina. Quantas vezes acabei saindo de aula mais cedo só para caminhar com ele e trocar uns beijos? Ah, a adolescência! Sem falar daquele medo quase ingênuo de ser pego “gazeando” aula como dizia minha mãe... O risco era um estímulo.

Porém como todo bom cafajeste, ele começou a ficar com outras meninas. Foi ai que nos distanciamos. Mas eu ainda tinha aquela paixãozinha guardada. E vez por outra acabava saindo das aulas para vê-lo. Algumas professoras ficavam indignadas porque sempre passava de ano e mantinha boas notas indiferente a não estar nas aulas.

Um dia o cafajeste fechou parte do seu ciclo. Engravidou uma menina. Mesmo estando “casado” tentou me ver. Uma tarde parei para ouvi-lo. Quando tentou me abraçar e beijar recuei.

- **, vá para casa. Você tem mulher e um filho a caminho. Está na hora de “ criar juízo” não acha? Sempre podemos ser bons amigos. Mas nada mais.

- Um dia, ainda vou te agradecer por estar me dizendo isso.

Depois dessa tarde ficamos muito tempo sem nos falar. Fiquei sabendo que os filhos se multiplicaram. Já estava no terceiro. E ele? Continua o mesmo.
Nunca me agradeceu. Talvez algum dia no futuro.
Porém eu o agradeço. Tivemos bons momentos. Permaneceu a amizade e o respeito.
Ele era autêntico. Não procurava ser melhor ou pior que ninguém. Demonstrava seus defeitos e suas qualidades. Se a mulher se envolvia era sabendo o que vinha.

Para o primeiro cafajeste que conheci até que dei sorte. Ruim foi conhecer pessoas que pareciam ser algo e eram bem diferentes. Mas isso faz parte.

E eu aposto que você teve um cafajeste. Ou terá. Não se preocupe. Pode ser uma boa experiência. Os cafajestes também amam.

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Ps: quase esqueci. Os cafajestes também amam. Porém é sempre mais de uma mulher ao mesmo tempo. :P

19 de ago. de 2011

Desejo

Por mais que tivesse mais pessoas ao seu redor, ambos sentiam que só importava a presença um do outro. Conversavam com as pessoas ao redor, mas seus olhos mantinham uma conversa particular.
Ao levá-la para casa no final da festa sentia que não queria deixá-la.
Trocaram um beijo no rosto.
Ela desceu do carro e deixou-se ficar no sofá. Fazia um tempo que não sentia uma atração tão forte por alguém. A atração que ele despertava nela era mais do que física. Queria poder eternizar aquelas conversas de múltiplos assuntos. Queria manter o perfume que emanava do corpo dele...

Na estrada, o rapaz dirigia feliz por ter conhecido a bela mulher. Porém um pouco triste, pois queria ter sido convidado para entrar. Quem sabe um café... Ou mesmo nada. Apenas ter mais alguns minutos naquela presença enigmática e provocativa.

Ela foi até seu quarto. Olhou-se no espelho e por um segundo achou-se atraente. Sentia isso porque lera naqueles olhos. Queria adivinhar os pensamentos que ele teve. Sentou-se na cama, livrou-se dos sapatos pretos e elegantes. Massageou os pés. E foi inevitável não criar mentalmente o toque dele em sua pele.
Tirou a meia preta lentamente. Sentindo a temperatura de seu corpo com as próprias mãos. Os gestos foram tão delicados e cronometrados que parecia um ritual. Um ritual sensual. Abriu o fecho lateral do vestido e permitiu que o mesmo caísse aos seus pés. Vestiu uma camisola preta, levemente transparente, que delineava as curvas do seu corpo.

Ele dirigia vagamente. O vazio do carro o incomodava. Por instinto tocou o banco. Há poucos minutos aquela mulher estava ali.
Estacionou. Deixou que seus dedos passeassem. Se ela ainda ali estivesse sua mão direita tocaria seus cabelos. Seu pescoço. Desceria pelas suas costas até abraçá-la e puxá-la para perto de si. A esquerda a prenderia... Iria aproximar seus lábios da pele do seu pescoço, indo em direção ao seu rosto. Mas sem beijá-la. Queria ver o arrepio que gesto poderia provocar...
O celular tocou. Saiu rapidamente daquele transe. Estava ficando maluco?

Do outro lado da linha, ela não conseguia falar. Tivera com o telefone nas mãos um tempo, apenas olhando o número dele. Por que tinha tanto receio de ligar? Uma mulher independente e livre não tinha que ter reações tão bobas...Quando finalmente discou...Sua voz não saia. E ele permaneceu no alô.

Quantos segundos ficariam ambos assim?

Ele desliga.

Ela larga o telefone. Vai para a cozinha e abre um vinho. Que papel ridículo acabara de fazer. Agora estava sentada, usando uma camisola, tomando um vinho...e totalmente só.

Assustou-se com o som de batidas na porta. Passados 15 minutos da ligação ( ou seria mais?) quem mais poderia ser?

Na porta, podia ouvir seu próprio coração batendo acelerado. O que ia dizer?
Quando abriu a porta percebeu que ele estava tão ansioso e perdido quanto ela. Porém seus olhos já percorriam seu corpo através da fina roupa de dormir.
Estremeceu.

Nenhuma palavra foi dita. Ele entrou na casa. Ela recuou um passo sem saber qual reação ter. Enquanto ele fechava porta sem pressa. Precisa controlar seus pensamentos e emoções mesmo sabendo ser impossível.

Ao voltar-se para a mulher era puro instinto. Ela o enlouquecia. E podia ver que a fazia sentir o mesmo anseio.

Puxou pela cintura. Esqueceu das imaginações calmas e beijou-a com todo o desejo que manteve controlado por horas...
Ela não fugiu. Entregou-se ao momento sem medo...

Abraçados, acariciando-se, tocando-se intimamente....livrando-se das roupas...
Quem visse a cena diria que eles formavam um único ser.

Tinham o tempo que quisessem. Seria a primeira noite de muitas que viriam. Sabiam disso. Souberam no momento em que disseram um ao outro “Oi”.

18 de ago. de 2011

E se

E se é uma expressão da qual tenho suspeitas. Ela pode te trazer alguma prudência nos atos, porém também pode deixar-te preso a alguma coisa ou até mesmo a alguém.Procuro analisar bem minhas atitudes mas não me prendo no “ E se”.“E se der errado”? “ E se me arrepender”? “ E se eu falhar”? “E se eu sofrer”?

Se é para dar atenção a estás duas palavras, prefiro colocá-las da seguinte forma “ E se eu não tentar”?

A nossa vida é o enigma do qual não teremos todos os dados para decifrar. Como disse um amigo outro dia: - Não tens que te preocupar com tantas perguntas. Não terás as respostas.Eu sei. Contraditoriamente nunca deixarei de buscar respostas. É da minha natureza inquieta. Todavia não permitirei que isso me prenda e me impossibilite de viver.

A nossa existência, tão frágil, por mais que não admitamos às vezes, pode acabar na próxima esquina. Ou terminar com aquela dor no coração repentina. Talvez numa doença escondida...E quem sabe ao dançar uma valsa... O modo como esse dia chegará tem milhões de faces. O valioso? Aquele chimarrão compartilhado com colegas de trabalho. As risadas sinceras. As confidências... A festa onde dançamos livremente. A música que dividimos. As lágrimas que ajudamos a secar... As conversas longas...O importante é essa felicidade que temos diariamente com quem amamos. O almoço de família, o passeio no parque...O filme do qual comentamos...

Onde estarei amanhã? Isso muda conforme minha decisão, conforme o passo que dou...

Amanhã posso estar conhecendo pessoas novas. Ou posso estar escrevendo aquele email para a pessoa de quem senti saudade. Amanhã posso estar perto ou longe. Mas comigo estará um pouco de cada pessoa que conheci. Elas farão partes das histórias que dividirei, e ao sorrir nessas conversas, será como sorrir com elas também.

O “E se” fará parte dos poucos momentos que eu o permitir participar. O “ E se” não irá comigo quando partir.

11 de ago. de 2011

Mais sobre mim?

Sempre que me pedem para falar mais a meu respeito fico perdida. Nunca sei por onde começar. Mas comecemos do início como diria a rainha de copas...
A melhor maneira de me conhecer passa por conviver comigo e ler o que escrevo. De alguma forma na escrita me revelo. Porém não aja como um tolo precipitado. Nem tudo é dito diretamente. Tem dias que estou mais nas entrelinhas.
Tenho dias que me revelo através de filmes. E há os momentos que me demonstro através dos livros. E ainda existem as fases que sou pura música. Tudo muito doce e belo não é? Já disseram que sou cult. Contudo ainda há o outro lado. Há os dias que me decifro através do sexo. E tem aquelas revelações através da raiva.
Nem puta nem santa. Compreendes?
Nada perfeita. E é bom que se contente com isso. Por mais que esteja sempre tentando melhorar a perfeição me é impossível. Perfeição e humanos não coexistem juntos num mesmo corpo, assim como vinho e cerveja não dividem o mesmo copo. (Bom, pelo menos nunca tentei unir tais bebidas)...
Eu posso contar tudo que já vivi em detalhes. Posso te confessar meus erros e meus acertos. E te passar os mínimos detalhes dos meus 30 anos. Você saberia quem sou? Claro que não! Você saberia de fatos! Saberia das minhas escolhas e das consequências. Quem sou está mais além.

Decifrar-me é sua escolha. Conquistar a resposta cabe a seu mérito. Sobreviver a isso? Isso cabe ao destino....

8 de ago. de 2011

Ao som de um violino


A vibração das cordas fizeram meu coração acelerar. Na minha frente um violino era tocado. Imaginei que um dia poderia ouvi-lo, porém também pensei que demoraria muito tempo. Mas ali estava eu, numa tarde de domingo escutando um dos sons mais lindos que um instrumento pode criar.
O violino pode fazer-me sangrar. Rir. Chorar. Flutuar.
Meus olhos em vão tentavam acompanhar os movimentos dos dedos do violinista e ao mesmo tempo as cordas...
Fui quase uma criança vendo algo muito precioso. Contendo as próprias emoções.
Ao violinista meu obrigado. Nunca esquecerei o som.
Nem poderia....A música ainda vibra comigo.



3 de ago. de 2011

Livre

Já chorei muitas noites sozinha. Já senti uma dor cortar-me ao meio.

E me perdi em desvaneios e emoções.

Mas ontem chorei por outro motivo. Ouvir Tchaikovsky fez-me dançar sem precisar mexer os pés.

27 de jul. de 2011

Paixão


Tenho uma paixão pelo novo. Mas não falo de novo me referindo a qualquer novidade e qualquer circunstância.
Vejo que sou apaixonada pelo “novo provável”. Entendes?
Refiro-me a magia que é conhecer alguém que tem semelhanças com você. Em alguns casos pode ter diferenças que se equilibram com as suas.
Eu falo do campo magnético de uma pessoa. Daquela energia que nos influencia.

Sou encantada pelo “novo provável” ao conhecer uma pessoa. Captou a mensagem?

Todos dizem que os relacionamentos são melhores no início. Sabes por quê? Porque é a parte do descobrimento. Há somente mel. É aquele encantamento que faz a gente ficar com cara de bobo e cabeça nas nuvens.

Desconfio que Alá resida no “novo provável”. Ou ele é essa energia que existe entre dois corpos?

O novo provável está ao conhecer um novo amigo, um amor e até aquele animalzinho de estimação.

O triste é que o novo fica velho. O provável encanto vira tédio conhecimento.
E aposto que agora você está se perguntando: - Existira uma maneira de manter o sentimento de “novo” após qualquer tempo?

Existe. Porém a beleza está na energia trocada pela proximidade de duas almas. E não sei por que as pessoas se afastam. Viram quase estranhas novamente. E passam o resto da vida se perguntando onde foi parar aquele sentimento fantástico do início.

Ora, o campo magnético de um ser humano supera distâncias se estiver ligado a outro. É como dar as mãos e abraçar o mundo.

Então... Não se distancie. É o único jeito de eternizar o novo provável... E o único jeito de manter essa sensação de borboletas no estômago.

Mas não vai achando que é fácil. A decisão de estar próximo não cabe somente a um. Afinal não podemos prender outra pessoa. E se o fizer a energia que tanto quer manter viva morrerá lentamente.

Viver essa paixão pelo novo é uma aventura. Todavia é bela. Mesmo quando perco eu ganho. Quer coisa melhor?

24 de jul. de 2011

A música que me completa

Outro dia vi um filme chamado O Concerto. A história é simples. Porém foi esse filme que me impulsionou a escrever sobre a música. Já faz dois dias que o assisti. E só agora as palavras tentam sair. Talvez não tenha escrito antes para não ser mal interpretada. Afinal quando falamos de música clássica as pessoas tendem a nos interpretar como superiores. Uma inverdade.
Há muito tempo me encantei com a música clássica. Mas falar sobre ela era ( é ) solitário. Primeiro não havia com quem compartilhar o que a música me fazia sentir. E segundo, não sou nenhuma expert no assunto.
O filme foca uma música de Tchaikovski. Supremo.

A emoção ao ouvir me faz sentir mais espiritualizada. Isso será possível? Se Deus existe ( gosto da idéia dele), sempre o imaginei como uma energia incrível. Será que podemos nos aproximar mais de Deus quando algumas músicas te colocam em contato com sua própria alma?

Ou será que a música desperta a divindade guardada em cada um de nós?

Não sei.

O que posso registrar aqui é que há melodias que me fazem chorar. Outras sorrir. E há aquelas que me deixam em contemplação.

Seja como for que você veja a música, eu posso te contar algo raro. A música clássica me despertar emoções tão lindas que as palavras me fogem. Justamente comigo que preciso da escrita para me completar....

De qualquer forma, com as palavras certas ou não; a música faz parte do que sou. Mesmo não a explicando ainda posso senti-la. E isso me faz feliz.
Por mais que a vida me prive de poder tocar um violino ou piano, sou grata pelo simples fato de também ser música. Você consegue entender?

11 de jul. de 2011

O Inverno

Outro dia a Janice Trombini leu um texto meu sobre inverno e pediu que eu criasse outro, mais apropriado para um evento que ela apresentaria. Imagina se eu não fiquei feliz. Escrever alimenta minha alma.

Do pedido saiu o seguinte texto:

O Inverno
Amado por alguns. E por outros nem tanto. Talvez seja esse o destino comum a todas as coisas.
Hoje quero apresentar-lhe sem formalidades, algo especial. Já deves tê-lo visto. E talvez o tenha interpretado rapidamente, sem se permitir conhecê-lo. Afinal nós fazemos julgamentos precipitados o tempo todo, não é? Costumamos não dar chance a descobertas reveladoras, pois o que é já conhecido é mais cômodo.

Respire fundo. Abra os olhos do coração. E não esqueça um casaco quente. Meu amigo inverno chegou e te fará companhia por alguns meses.

Esta estação do ano mais fria é aquela que mais quer uma chance de conquistar você. O inverno quer lhe mostrar suas maiores belezas. Permita-me guiá-lo.

O Inverno é romanesco. É vinho em frente à lareira. Edredom envolto num casal apaixonado. É aconchego. É abraço. É cor. É suavidade. É caminhar junto e dividir as luvas.

O inverno é chique. Elegante. Enquanto a primavera é a criança brincando, o inverno é o ser humano que desliza sofisticado. Inverno é a maturidade.

É nessa estação que as pessoas estão mais calorosas e caridosas. Consegue perceber? O frio valoriza ainda mais o calor humano. O inverno transforma a sua própria antítese em sua maior força e beleza.
Assim inverno é poesia. Poesia das ruas e das almas das pessoas. Poesia que invade as manhãs com a geada e que em alguns lugares brinda com a neve.

O inverno é também o mensageiro das estações. Ele sempre te oferta a mais linda mensagem. A cada chegada o inverno invade teu corpo. Arrepia você com o sopro gélido em suas veias, só para lembrar-te: Hei estás vivo, e isso é uma dádiva.

Se há uma ordem para as estações no seu surgimento, creio que o inverno pode ter surgido por último. Mas tenho um palpite: o inverno pode ter sido o derradeiro, mas é após ele que o ciclo recomeça.

Permita-me brincar com as palavras e afirmar: o inverno é a apoteose climática.

Deixe-se conquistar por ele. Conheça-o em todas as suas faces.
O frio pode fazer seu coração ainda mais quente. E isso é bom não é?


6 de jul. de 2011

O velório de meu avô

Na última noite fui a um velório.
Não gosto de velórios. E lógico eu sei que ninguém gosta de ir. Mas meus problemas com velórios são certos protocolos sociais e atitudes um tanto melodramáticas.
Ontem nesse velório meu estado era de contemplação e analise existencial.
A questão é que a morte não me incomoda. Não tenho pavor da morte. E embora seja difícil lidar com a partida de pessoas amadas sei que isso é inevitável. Foi dessa sensação (ou devo dizer característica) que nasceu em mim um respeito e aceitação da morte.
Ontem não chorei. Nenhuma lágrima nasceu. Mas não julgue antes do final dessas palavras. A pessoa em questão era meu avô ( pai de meu pai biológico). Eu não o conheci. Nunca o tinha visto antes de ontem.
O pai biológico conheci no mês de maio desse ano. E estava nos meus planos ir visitar meu avô. Afinal nunca tive avós com quem conviver e imaginava como seria. Será que é verdade que eles são os pais e mães da gente, mas com mel? Nunca irei saber.

Ao receber a ligação com a noticia surgiu a dúvida: - Ir ou não ir ao velório? Afinal nem o conhecia não é? E esses vícios sociais quase na sua totalidade me incomodam. A maioria não nasce na sinceridade ou sentimento. São apenas atos de repetição e atitude em grupo.

Conversando com meu irmão aceitei a carona e fui.

Fiquei mais aliviada em ver que não houve tantos dramas. Deixe-me explicar: Já vi velórios onde pessoas perdem controle, gritam, não querem nem que o defunto seja enterrado, outras se jogam sobre o morto, etc. E em alguns não era realmente a dor da perda que os movia. Mas a oportunidade de atuar perante um público e querer mostrar o quanto eram amorosos e sensíveis. Todavia a época de declarar tanto amor não era para ser quando o dito (a) cujo estava vivo?

Também não quero generalizar. Há exceções. Principalmente casos onde mães perdem os filhos. Porém a maioria das “apresentações sentimentais” que vi em quase 30 anos segue o que chamo de “teatro para o defunto”.

Como contei não houve essas atitudes. Contudo vi uma cena que me pareceu exagerada. Digo “pareceu”, porque a certeza não tenho já que não conheço a garota que a fez. E quiçá fosse sincero. Ela aproximou-se do corpo e largou-lhe um longo beijo nas bochechas. Não sei... Revendo a cena na memória ainda tenho a desconfiança. Parece que se viu e ouviu o estralo do beijo. A emoção? Bom, de repente estivesse bem guardada. Darei a pessoa chance da dúvida.

A outra cena foi desconfortante. Um casal jovem e uma menina de uns 5 anos se aproximam do caixão. O pai empurra levemente a filha em direção ao caixão mandando ela dar um “beijinho” de adeus. A criança instintivamente leva as mãos a sua frente para evitar. O pai insiste e ergue ela nos braços, inclinando a menina a testa do falecido. Mesmo sem entender ou aceitar a garota lhe da um leve beijo.

Seria poético? Seria. Se a garotinha tivesse tido a iniciativa. Mas nos olhos dela se via um misto de medo, desentendimento e uma vontade imensa de ir embora.
Por que razão um pai força a filha tão jovem a fazer isso? A morte para ela já deva ser assustadora. Seus conceitos nem se formaram. Mas lá estava ela beijando um morto por obrigação...

Afora essas duas situações citadas as horas correram sem me chamar atenção. Uma e outra pessoa chorava discretamente. Algumas conversas sussurradas...

E eu observando o que sobrara de meu vô após 83 anos. Perguntas ingênuas passavam na mente. Como ele teria sido? Quais suas manias? Qual teria sido seu ultimo pensamento ao desmaiar sozinho em casa e morrer? Será que era tão boêmio como ouvi falar? Daríamos-nos bem? Teríamos algo em comum?

Meu vô era uma probabilidade. Sim, era uma probabilidade de sentimento, de carinho e de amizade.

A morte sempre me leva a pensar na vida. ( Acho que isso é comum a muita gente). E todas aquelas “frases feitas”, “ teorias repetidas” ganham valor e veracidade quando a gente percebe que adiar algo para amanhã não faz sentido.

Você já deve ter lido que os melhores amores são os não vividos. Isso é real. Afinal o amor não vivido não tem chance de te trair, magoar, decepcionar e nem você a ele. Amor não vivido fica sempre na possibilidade dos sonhos e por seguinte da perfeição.

E como há vários tipos de amor, noto que amar meu avô e ser amada por ele se encaixa perfeitamente no dito.

Meu avô é um amor não vivido. Ficou na imaginação do que poderia ter sido. É estranho e também reconfortante.

Eu não derrubei uma lágrima. E meu coração estava tranqüilo. Gostaria de te-lo conhecido melhor. Mas quis o destino que seguíssemos distantes.

O que me tranqüiliza também é saber que amo intensamente as pessoas. E por mais que algumas me machuquem profundamente não me arrependo de ter tentado.

O propósito da vida é complexo. Mas creio que nele há duas coisas importantes.
Ser feliz. E fazer alguém feliz. E tentar isso o quanto antes na nossa vida. Por que a morte pode estar logo ali na sala de estar...

1 de jul. de 2011

Sou o resultado

Não sou má como alguns desafetos pintam. Porém também não sou tão boa como alguns amigos me vêem.
Sou o resultado.
Um resultado complexo. E creio que indefinido.
Tem dias ou épocas da vida que sou apenas soma. A soma do carinho, da gentileza, da fidelidade.
Outros dias sou multiplicação. Multiplicação da saudade, dos fantasmas, da tristeza. Paradoxalmente também posso multiplicar a empolgação, os risos, os abraços, as alegrias.
E tem aqueles dias de subtração. Embora subtrair pareça depressivo, às vezes é bem útil. Diminuo ansiedade, solidão, problemas, carência. Porém há dias que a subtração corta o tempo, a caminhada, o sossego, a calma...

E tem a etapa de divisão. Divido a casa, o almoço, o espaço no sofá, o colo, o café, o cafuné, as gargalhadas, as conversas longas, os olhares intensos.

Sou resultado a uma ação.
Quando der aquela vontade de querer questionar, me pergunte ou simplesmente analise as suas ações comigo.
Mas não esqueça do principio da incerteza. Afinal uma soma pra você poder dar um resultado. Para mim outro totalmente diferente. Acho que a beleza está ai. Embora seja resultado de algo, nunca seremos iguais mesmo que os fatores sejam os mesmos.

27 de jun. de 2011

Você é tão frio quanto o inverno


Hoje ao caminhar pela manhã fiquei observando a geada. O modo como ela cobria a grama e pequenas árvores. Colocando em tudo uma aura branca. Belo. Até gracioso. Mas frio. Muito frio.
Quando segurei o galho de uma arvore e tirei aquela camada leve de gelo, vi que a folha, mesmo aceitando a geada, estava fraca. Pouco a pouco ia se machucando. Sem reclamar.
Foi ai nesse instante que percebi que você é como o inverno. Frio. Se impõe. Chega e vai cobrindo tudo a sua volta com a frieza natural. Pouco importa se és bem recebido. Se tua presença é festejada. Tu sempres chega do mesmo jeito congelante. És um inverno cinza.
Ao menos tem que sair quando a beleza da primavera se anuncia.


Por ironia também sou inverno. Somos parte de um só. Eternamente diferentes e separados. De costas um para o outro como as faces de uma moeda.
Mas o meu inverno é romanesco. É vinho na lareira. É edredon envolto num casal de enamorados. É aconchego. É abraço. É cor. É suavidade. É caminhar abraçado e dividindo as luvas. Meu inverno é chocolate quente. E principalmente meu inverno por mais que também traga frio; em sua mensagem maior é simplesmente lembrar que estamos vivos. E a cada respiração sentir que o frio também pode ser quente.

Ironicamente eu precisava conhecer o outro lado de mim mesma. O outro lado do inverno. Para entender o quanto é bom ser.

Equilíbrio muitas vezes parece ser andar numa corda bamba não é? E se ela estiver congelada, o quão deslizante pode ser?





Nota: Foto de Pablo Gomes.

25 de mai. de 2011

O bilhete

Eu a observava há anos. Olhando assim era uma mulher comum. Mas eu não olho "assim". Quando olho alguém eu vejo. E a vi.
Suas nuances me atraem. Não atração luxuriosa. Atração misturada com admiração. Fico a fitando e desejo saber cada mero detalhe da sua existência.
Ela ama o céu. Principalmente a noite. Sai de casa e fica em pé sobre a grama com uma taça de vinho na mão olhando as estrelas. Vez por outra fala com alguma alma que passa. Outras horas simplesmente as ignora. Tem momentos em que levanta as mãos em direção ao céu e fica brincar no ar. Será que ela vê?
Há dias em que vai visitar suas amigas. Uma atitude social comum. E a sigo de longe. Percebendo que ela ao mesmo tempo em que está lá numa conversa banal está também com a alma a viajar por terras distantes.
Em casa distraída com um filme, livro ou música. E num repente está desligada. Com o olhar no vazio. O vazio tão complexo que me indago se a menina sabe mais do que aparenta.
Ah, tenho vontade de ir até ela. Poder chegar bem perto do seu rosto e sussurar: " Quem é você"? Todavia algo me diz que ela pode ouvir. Quiça me ver...
Não sou de me mostrar aos humanos. Suas vidas são a mesma coisa desde o início apenas com uma embalagem diferente...Mas fico tentada a lhe ouvir criatura estranha.
Eu a vi nascer. E a verei partir. Cresceu, desenvolveu, e vive. Um dia morrerá. Igual a todos. Por que então essa presença que me inquieta?
Naquela noite em que olhou para o lado, direto na minha direção, senti um arrepio. Ou tremor. Seria medo? Não, nunca senti medo antes. Eu tinha pronunciado teu nome. E você virou-se. Em milésimos de segundo me afastei. Mas por instantes senti o calor desses olhos escuros. Escuros como o meu manto...
Me indago se temos algo em comum. Parece impossível ter semelhança com um humano. Você é humana não é?
Caminho pela terra antes de se quer você imaginar existir. Nem teus mais antigos decendentes haviam pisado nesse mundo ainda... E então você vem... Num mar de possibilidades é você que surge. E perturba meus pensamentos.
Escrevo essas palavras esperando que possa entendê-las. Nunca havia escrito sobre um papel. Nunca tive motivo para escrever. E posso escrever qualquer coisa em qualquer idioma...
Ao dizer que espero que entenda, não é porque duvide da sua capacidade de ler. Sei que lês muito bem. Apenas desejo que entenda a minha intenção de te deixar essas palavras.
Se bem...Se bem que nem eu ainda tenho certeza disso.

Eu estou vendo você. Faço meu trabalho e sempre arrumo um tempo para te ver.

Deveria eu chegar mais perto?

*


17 de mai. de 2011

A velha boneca

Ei...o que você lembra? Quero dizer, qual a lembrança mais antiga que tens? Lá na sua infância?
Outro dia estava revirando umas caixas. Elas estavam no roupeiro há muito tempo. Uma mistura de fotos velhas, bilhetes que colegas de aula mandavam sobre amizade, cartas... Ah, as cartas. Sempre achei algo poético nas cartas.
As cartas guardei. Os bilhetes de colegas também. Alguns bilhetinhos queimei. Assim como umas fotos.
Separei roupas para doar. Calçados. Cobertor.
Dizem que quando fazemos isso queremos mesmo é mudar algo em nossa vida. Talvez seja verdade. Afinal estou por ter uma grande mudança. Mas revirar os roupeiros veio depois de já saber que vou mudar e não contrário.
E lá estava ela. Embaixo do Mickey e da Minnie que numa vida passada e infeliz ganhei. Segurei-a e resolvi sentar na cama. Jogo fora? Guardo mais um pouco?
Seu rosto estava machado. Eu devo ter largado ela perto daquelas canetas de colorir. Sua roupa amarelada. Seus olhos mostravam que os anos não perdoam. Nem mesmo a ela. Tão frágil e tão pequena.
Quando criança ela era para mim como um tesouro. Ah, a docilidade das crianças. Porém era um tesouro que do qual eu não era a guardiã. De fato mal podia tocá-la. E nos raros momentos em que a tinha nas mãos era apenas por rápidos minutos. E então ela voltava para seu baú ( Ou guarda roupa de minha mãe).
Os minutos passaram e eu lá. Parada observando a pequena boneca. Aquelas famosas “ bebezinhas” que toda menina queria ter. E que eu havia ganhado. Não era a top de linha. Isso seria esperar de mais da realidade financeira de meus pais. Mas era linda. Eu, nos meus poucos anos a achava a mais bela.
A larguei na cama. Ainda não podia decidir jogar ela fora ou não. E isso me irritava. Pois minha mente dizia ser algo provinciano. Mas o coração....Ah, esse coração maluco....

Logo após encontrei entre roupas o “Peposo”. Esse ainda mais velho. E o qual pude carregar comigo quando pequena depois de muito insistir. Foi o primeiro brinquedo que havia ganhado. Eu devia ter uns 3 anos quando minha mãe comprou e consigo lembrar dele ainda na embalagem e na loja... O Peposo é marrom ( desbotado, é lógico), e vestia uma roupinha de lã de bebê. Ah sim, roupa que um dia me pertenceu...

Olho os dois brinquedos, que só pela presença me fizeram viajar em lembranças antigas e faço a escolha. O boneco volta para o roupeiro. A bebê vai para sacola de lixo. Já que doar coisas que não esta em ótimo estado não é meu costume.

Organizando as coisas no guarda roupa a mente voa em análises. Sempre fui meio às avessas às outras pessoas. Principalmente comparada com outras meninas. Brincar de boneca não era tão agravável. Essa coisa de “casinha e cozinhar” passou tão rápido que mal lembro das poucas vezes que assim brinquei. Gostava de caminhar pelos trilhos, cuidar de meus gatos, ler e estudar...Conhecer as ruas....
A pergunta nasceu em meu cérebro e a ignorei. Afinal: Será que seria eu diferente, se tivesse acesso àquela pequena boneca que ficava todo tempo trancada?

Creio que não. Mas isso é dedução. Certeza.... Acho que nunca terei.