25 de mai de 2011

O bilhete

Eu a observava há anos. Olhando assim era uma mulher comum. Mas eu não olho "assim". Quando olho alguém eu vejo. E a vi.
Suas nuances me atraem. Não atração luxuriosa. Atração misturada com admiração. Fico a fitando e desejo saber cada mero detalhe da sua existência.
Ela ama o céu. Principalmente a noite. Sai de casa e fica em pé sobre a grama com uma taça de vinho na mão olhando as estrelas. Vez por outra fala com alguma alma que passa. Outras horas simplesmente as ignora. Tem momentos em que levanta as mãos em direção ao céu e fica brincar no ar. Será que ela vê?
Há dias em que vai visitar suas amigas. Uma atitude social comum. E a sigo de longe. Percebendo que ela ao mesmo tempo em que está lá numa conversa banal está também com a alma a viajar por terras distantes.
Em casa distraída com um filme, livro ou música. E num repente está desligada. Com o olhar no vazio. O vazio tão complexo que me indago se a menina sabe mais do que aparenta.
Ah, tenho vontade de ir até ela. Poder chegar bem perto do seu rosto e sussurar: " Quem é você"? Todavia algo me diz que ela pode ouvir. Quiça me ver...
Não sou de me mostrar aos humanos. Suas vidas são a mesma coisa desde o início apenas com uma embalagem diferente...Mas fico tentada a lhe ouvir criatura estranha.
Eu a vi nascer. E a verei partir. Cresceu, desenvolveu, e vive. Um dia morrerá. Igual a todos. Por que então essa presença que me inquieta?
Naquela noite em que olhou para o lado, direto na minha direção, senti um arrepio. Ou tremor. Seria medo? Não, nunca senti medo antes. Eu tinha pronunciado teu nome. E você virou-se. Em milésimos de segundo me afastei. Mas por instantes senti o calor desses olhos escuros. Escuros como o meu manto...
Me indago se temos algo em comum. Parece impossível ter semelhança com um humano. Você é humana não é?
Caminho pela terra antes de se quer você imaginar existir. Nem teus mais antigos decendentes haviam pisado nesse mundo ainda... E então você vem... Num mar de possibilidades é você que surge. E perturba meus pensamentos.
Escrevo essas palavras esperando que possa entendê-las. Nunca havia escrito sobre um papel. Nunca tive motivo para escrever. E posso escrever qualquer coisa em qualquer idioma...
Ao dizer que espero que entenda, não é porque duvide da sua capacidade de ler. Sei que lês muito bem. Apenas desejo que entenda a minha intenção de te deixar essas palavras.
Se bem...Se bem que nem eu ainda tenho certeza disso.

Eu estou vendo você. Faço meu trabalho e sempre arrumo um tempo para te ver.

Deveria eu chegar mais perto?

*


2 comentários:

  1. Oi Vivian, qto tempo, é a Cin do "Segredos de Liquidificador" lembra de mim? Estou passando pra contar que voltei a blogar, fiz um blog com assuntos relacioanados a atual fase da minha vida: a maternidade. Vim te convidar pra conhecer. Vou adorar sua visita. O end é:http://maenualdeinstrucoes.blogspot.com Bjinhos!

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