21 de ago de 2011

O primeiro cafajeste a gente nunca esquece

Momento de confissão: a gente sempre gosta em algum momento da vida de um homem cafajeste. E há casos de mulheres que vivem a escolher cafajestes e reclamar da sorte.
O primeiro cafajeste que conheci foi aos 15 anos. Ele nunca ia as aulas, quase deixava maluco o pai dele, que era pastor evangélico. Tinha um jeito de andar típico do malandro. Aquele ar despojado que diz: “ To nem ai para nada”. O que aconteceu? Paixão! Lógico!

O rapaz em questão era totalmente meu oposto. Mas quem disse que isso não apimenta mais as coisas?
Depois de muitas conversas, risos, recuos e aproximações começamos a “ficar”. Na época era ficar e não namorar. E hoje “o ficar” tornou-se banal. Ficam uma noite, uma hora, uma transa....Mas retornemos ao cafajeste.

Esse tipo de homem te desperta paixões malucas porque simplesmente te tira da rotina. Quantas vezes acabei saindo de aula mais cedo só para caminhar com ele e trocar uns beijos? Ah, a adolescência! Sem falar daquele medo quase ingênuo de ser pego “gazeando” aula como dizia minha mãe... O risco era um estímulo.

Porém como todo bom cafajeste, ele começou a ficar com outras meninas. Foi ai que nos distanciamos. Mas eu ainda tinha aquela paixãozinha guardada. E vez por outra acabava saindo das aulas para vê-lo. Algumas professoras ficavam indignadas porque sempre passava de ano e mantinha boas notas indiferente a não estar nas aulas.

Um dia o cafajeste fechou parte do seu ciclo. Engravidou uma menina. Mesmo estando “casado” tentou me ver. Uma tarde parei para ouvi-lo. Quando tentou me abraçar e beijar recuei.

- **, vá para casa. Você tem mulher e um filho a caminho. Está na hora de “ criar juízo” não acha? Sempre podemos ser bons amigos. Mas nada mais.

- Um dia, ainda vou te agradecer por estar me dizendo isso.

Depois dessa tarde ficamos muito tempo sem nos falar. Fiquei sabendo que os filhos se multiplicaram. Já estava no terceiro. E ele? Continua o mesmo.
Nunca me agradeceu. Talvez algum dia no futuro.
Porém eu o agradeço. Tivemos bons momentos. Permaneceu a amizade e o respeito.
Ele era autêntico. Não procurava ser melhor ou pior que ninguém. Demonstrava seus defeitos e suas qualidades. Se a mulher se envolvia era sabendo o que vinha.

Para o primeiro cafajeste que conheci até que dei sorte. Ruim foi conhecer pessoas que pareciam ser algo e eram bem diferentes. Mas isso faz parte.

E eu aposto que você teve um cafajeste. Ou terá. Não se preocupe. Pode ser uma boa experiência. Os cafajestes também amam.

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Ps: quase esqueci. Os cafajestes também amam. Porém é sempre mais de uma mulher ao mesmo tempo. :P

2 comentários:

  1. Olá.

    Gostei do texto. Se não for ficção v. é mais autêntica que eu imaginava.

    Afinal os "cacos" costumam arrebatar corações e mentes deixando como regra, momentos infelizes de "pa" e "chão".

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  2. Rá. Boa! Adorei pimentinha!

    L.

    *-*

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