13 de set. de 2011

Aonde quer que eu vá encontro o mar...

É isso que acontece quando a gente mora numa ilha e ainda tem apenas uma avenida entre você e o mar.
Confesso que foi irônico mudar para cá, afinal eu prefiro mil vezes o campo à praia. Porém tenho dado chance do mar me conquistar. Um de nós tinha que ceder.
Caminhei pela praia outro dia. Adorei ouvir o som das ondas batendo nas rochas. Li uma vez que toda criação foi feita por uma única mão. Mesmo sem ser religiosa é bonito observar a natureza e a força que ela tem. Há algo de misterioso nisso...
Porém quem me visse caminhando pela praia diria que eu era algo que não pertencia àquela imagem. Digamos que não eu não combine. Não me encaixe.
Mas alguma vez na vida me encaixei ou combinei com algo?

4 de set. de 2011

Lembranças...

Ele gritava por ajuda. Embora eu ouvisse não conseguia encontrá-lo. Fechei os olhos e me concentrei apenas nos sons. Havia lido que isso melhorava a audição. Sai dos trilhos e fui calmamente procurando ele naqueles matos e roseiras que na época existia em volta da "linha do trem".
O encontrei. Ele estava tremendo. Tinha o corpo úmido. E os olhos tristes e desesperados. De uma forma que eu não explicaria com palavras me identifiquei com ele. Foi nesse dia, creio eu, que descobri meu amor por felinos.
Levei-o para casa. E agora era assustador ter que falar com minha mãe que eu havia adotado aquele gatinho de pelos amarelos. Minha mãe nunca foi do tipo emotivo ou sentimental. As horas que ela passava lavando roupas naquele tanque velho a deixou tão rígida quanto o outro tanque de pedra.
Todavia eu não podia esconder o gatinho. E nem abandoná-lo. Criei coragem e contei sobre o felino. Após algumas palavras ríspidas e a fúria controlada minha mãe deixou o "Alemão" ficar. Nome escolhido por ela...
Um tempo depois...Talvez um ano após esse fato, cheguei da escola e me deparei com uma cena terrível. Um gato havia sido enforcado. E estava ainda na corda. Não sei quando tempo permaneci olhando. Até que comecei a chorar. Minha mãe surgiu do nada, brigando por causa da choradeira. Apenas consegui perguntar a ela onde estava o "Alemão". A resposta foi um simples "tá por ai". Quis ir procurá-lo. Precisava ter certeza de que estava bem. Entretanto a ordem veio direta: " - Para de chorar e leva esse gato morto e deixa pra lá da caixa de água.
Esse foi dia em que me distanciei da mãe pela primeira vez.

Tentei pegar o pobre bichano. Contudo estava pesado de mais. E eu era só uma criança. Pedi a mãe que o enterrasse. Era o mínimo que ela podia fazer, após ter cometido aquele crime.
A bronca veio e a segunda ordem: - Puxa o gato por essa corda.

A sensação que tive ao levá-lo é indescritível. Doloroso de mais. Sempre amei os animais. Naquele dia passei a detestar qualquer tipo de crueldade contra eles.

Lembrei de tudo isso hoje ao caminhar pelos trilhos que passam no fundo da casa da minha mãe. Lembrei isso porque logo viajo e não deixo a minha gata Bastet para trás por nada. Lembrei disso porque vou me afastar ainda mais da minha mãe..... Se é que um dia fomos próximas.

27 de ago. de 2011

Então senhor Criador, cadê o meu abraço?

Pensar sobre a existência de Deus perturba meu juízo.
Eu gosto da idéia Dele. Mas acreditar cegamente ou aceitar sem questionar me é impossível.
Digamos que alguém me prove que Deus existe. Certo? Mas não vem com argumentos parecidos com: “ Você é a prova de que Deus existe. A vida é. Ou o amor é prova de Deus”.
Porém hipoteticamente alguém me provou que o Arquiteto de Universo existe. Isso me acalmaria o espírito? Bem capaz, como diz o gaúcho. Aí é que eu teria mais questionamentos.

Como Ele é? É uma energia? Sempre digo que desconfio que Deus exista na energia boa de duas pessoas... Ou é aquele estereótipo, um homem vestido de branco e barbas ?
Quando eu oro que jeito tem o cara do outro lado? Ah...eu não oro. Não da forma convencional. Eu tenho longas conversas cheias de reticências com Deus. Chamo de conversa mas parece mais um monólogo. E aí, bem aí leitor, existe o ápice da minha loucura. Se não tenho a certeza absoluta de Deus por que razão fico conversando com Ele? Quer dizer, vivo em conflito com duas partes de mim. A que quer mais provas e a outra que toma um vinho e conversa com o criador.
Será que eu tenho algum tipo de inteligência adormecida? Uma sabedoria que dorme e por vezes fala comigo? Ou me faz sentir essas intuições e sentimentos?
Mas voltamos a Alá...

Ele existindo ( sério, tenho a boa intuição de que exista) porque é tão...misterioso?
Ele é o criador, concorda? Criou a você, a mim, aos animais, e também aquela pessoa mala....
Agora....Por que? Por que!!!! Ele todo poderoso estava entediado? E nos criou?
Qual o objetivo?
Somos algum tipo de big Brother para ele passar o tempo?

Voltemos no tempo. Acompanha-me nesse retrocesso. Mas voltemos ao pricípio, Antes do Big Bang. Numa bela tarde ( supondo que as tardes já existiam) estava o senhor Deus sem muitos afazeres. Ele era só. ( Dizem). O alfa e o Omega decide começar a criação. E viu que era bom criar. Num estalar de dedos BUMMM, o bing bang....e milhões de anos após estou em frente do note questionando esse estalar de dedos.
Uma vez comentei que somos arrogantes de mais e toda nossa existência poderia ter começado com um espirro celestial. Não deu tempo de pegar o lenço e evitar essa coisa toda....

Todavia ali está a criação. Foi de caso pensando que somos o que somos? Ou ele começou e deixou as coisas evoluírem até a nossa existência?

Deus nos ama. Ama? Quero dizer.... Eu posso sentir esse amor? Muitos dirão: Deus te ama e te mostra todo dia ao acordar um belo sol. Deus está na chuva...Ou Deus está nas dádivas que temos....Peraí, eu entendo isso..Mas não está faltando nada? Além das explicações que tanto anseio...falto algo mais. Como explicar isso a você. Quando gosto de alguém, gosto de abraçar. De ouvir a voz. De conversar. De dar um bom dia ou boa tarde. Então senhor Criador, cadê o meu abraço? Já me deu e eu sou tão insignificante que não percebi?

Espero que o Senhor não se ofenda. Ele pensou que podia criar tudo e ninguém ia questionar?

Já debati sobre Deus muitas vezes. Já escrevi muitas vezes....E agora que fui até lá fora e ao voltar reli o que digitei...Noto que tudo que eu li sobre filosofia, sociologia, psicologia, misticismo, etc...Tudo não foi nada. Nada capaz de me responder. Todas as pessoas que conheci, com quem vivi e muito aprendi também não bastaram.
E fico observando a minha frase: “Então senhor Criador, cadê o meu abraço”?
É...estou carente de um abraço do criador. Então...se a carência dessa abraço existe logo Deus existe? Não é?

Eureca! Ta aí leitor. Deus nos criou porque estava carente. Sentia-se só. Só pode....Mal sabia ele que isso ia dar “ muito pano pra manga”. Ou sabia?

21 de ago. de 2011

O primeiro cafajeste a gente nunca esquece

Momento de confissão: a gente sempre gosta em algum momento da vida de um homem cafajeste. E há casos de mulheres que vivem a escolher cafajestes e reclamar da sorte.
O primeiro cafajeste que conheci foi aos 15 anos. Ele nunca ia as aulas, quase deixava maluco o pai dele, que era pastor evangélico. Tinha um jeito de andar típico do malandro. Aquele ar despojado que diz: “ To nem ai para nada”. O que aconteceu? Paixão! Lógico!

O rapaz em questão era totalmente meu oposto. Mas quem disse que isso não apimenta mais as coisas?
Depois de muitas conversas, risos, recuos e aproximações começamos a “ficar”. Na época era ficar e não namorar. E hoje “o ficar” tornou-se banal. Ficam uma noite, uma hora, uma transa....Mas retornemos ao cafajeste.

Esse tipo de homem te desperta paixões malucas porque simplesmente te tira da rotina. Quantas vezes acabei saindo de aula mais cedo só para caminhar com ele e trocar uns beijos? Ah, a adolescência! Sem falar daquele medo quase ingênuo de ser pego “gazeando” aula como dizia minha mãe... O risco era um estímulo.

Porém como todo bom cafajeste, ele começou a ficar com outras meninas. Foi ai que nos distanciamos. Mas eu ainda tinha aquela paixãozinha guardada. E vez por outra acabava saindo das aulas para vê-lo. Algumas professoras ficavam indignadas porque sempre passava de ano e mantinha boas notas indiferente a não estar nas aulas.

Um dia o cafajeste fechou parte do seu ciclo. Engravidou uma menina. Mesmo estando “casado” tentou me ver. Uma tarde parei para ouvi-lo. Quando tentou me abraçar e beijar recuei.

- **, vá para casa. Você tem mulher e um filho a caminho. Está na hora de “ criar juízo” não acha? Sempre podemos ser bons amigos. Mas nada mais.

- Um dia, ainda vou te agradecer por estar me dizendo isso.

Depois dessa tarde ficamos muito tempo sem nos falar. Fiquei sabendo que os filhos se multiplicaram. Já estava no terceiro. E ele? Continua o mesmo.
Nunca me agradeceu. Talvez algum dia no futuro.
Porém eu o agradeço. Tivemos bons momentos. Permaneceu a amizade e o respeito.
Ele era autêntico. Não procurava ser melhor ou pior que ninguém. Demonstrava seus defeitos e suas qualidades. Se a mulher se envolvia era sabendo o que vinha.

Para o primeiro cafajeste que conheci até que dei sorte. Ruim foi conhecer pessoas que pareciam ser algo e eram bem diferentes. Mas isso faz parte.

E eu aposto que você teve um cafajeste. Ou terá. Não se preocupe. Pode ser uma boa experiência. Os cafajestes também amam.

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Ps: quase esqueci. Os cafajestes também amam. Porém é sempre mais de uma mulher ao mesmo tempo. :P

19 de ago. de 2011

Desejo

Por mais que tivesse mais pessoas ao seu redor, ambos sentiam que só importava a presença um do outro. Conversavam com as pessoas ao redor, mas seus olhos mantinham uma conversa particular.
Ao levá-la para casa no final da festa sentia que não queria deixá-la.
Trocaram um beijo no rosto.
Ela desceu do carro e deixou-se ficar no sofá. Fazia um tempo que não sentia uma atração tão forte por alguém. A atração que ele despertava nela era mais do que física. Queria poder eternizar aquelas conversas de múltiplos assuntos. Queria manter o perfume que emanava do corpo dele...

Na estrada, o rapaz dirigia feliz por ter conhecido a bela mulher. Porém um pouco triste, pois queria ter sido convidado para entrar. Quem sabe um café... Ou mesmo nada. Apenas ter mais alguns minutos naquela presença enigmática e provocativa.

Ela foi até seu quarto. Olhou-se no espelho e por um segundo achou-se atraente. Sentia isso porque lera naqueles olhos. Queria adivinhar os pensamentos que ele teve. Sentou-se na cama, livrou-se dos sapatos pretos e elegantes. Massageou os pés. E foi inevitável não criar mentalmente o toque dele em sua pele.
Tirou a meia preta lentamente. Sentindo a temperatura de seu corpo com as próprias mãos. Os gestos foram tão delicados e cronometrados que parecia um ritual. Um ritual sensual. Abriu o fecho lateral do vestido e permitiu que o mesmo caísse aos seus pés. Vestiu uma camisola preta, levemente transparente, que delineava as curvas do seu corpo.

Ele dirigia vagamente. O vazio do carro o incomodava. Por instinto tocou o banco. Há poucos minutos aquela mulher estava ali.
Estacionou. Deixou que seus dedos passeassem. Se ela ainda ali estivesse sua mão direita tocaria seus cabelos. Seu pescoço. Desceria pelas suas costas até abraçá-la e puxá-la para perto de si. A esquerda a prenderia... Iria aproximar seus lábios da pele do seu pescoço, indo em direção ao seu rosto. Mas sem beijá-la. Queria ver o arrepio que gesto poderia provocar...
O celular tocou. Saiu rapidamente daquele transe. Estava ficando maluco?

Do outro lado da linha, ela não conseguia falar. Tivera com o telefone nas mãos um tempo, apenas olhando o número dele. Por que tinha tanto receio de ligar? Uma mulher independente e livre não tinha que ter reações tão bobas...Quando finalmente discou...Sua voz não saia. E ele permaneceu no alô.

Quantos segundos ficariam ambos assim?

Ele desliga.

Ela larga o telefone. Vai para a cozinha e abre um vinho. Que papel ridículo acabara de fazer. Agora estava sentada, usando uma camisola, tomando um vinho...e totalmente só.

Assustou-se com o som de batidas na porta. Passados 15 minutos da ligação ( ou seria mais?) quem mais poderia ser?

Na porta, podia ouvir seu próprio coração batendo acelerado. O que ia dizer?
Quando abriu a porta percebeu que ele estava tão ansioso e perdido quanto ela. Porém seus olhos já percorriam seu corpo através da fina roupa de dormir.
Estremeceu.

Nenhuma palavra foi dita. Ele entrou na casa. Ela recuou um passo sem saber qual reação ter. Enquanto ele fechava porta sem pressa. Precisa controlar seus pensamentos e emoções mesmo sabendo ser impossível.

Ao voltar-se para a mulher era puro instinto. Ela o enlouquecia. E podia ver que a fazia sentir o mesmo anseio.

Puxou pela cintura. Esqueceu das imaginações calmas e beijou-a com todo o desejo que manteve controlado por horas...
Ela não fugiu. Entregou-se ao momento sem medo...

Abraçados, acariciando-se, tocando-se intimamente....livrando-se das roupas...
Quem visse a cena diria que eles formavam um único ser.

Tinham o tempo que quisessem. Seria a primeira noite de muitas que viriam. Sabiam disso. Souberam no momento em que disseram um ao outro “Oi”.

18 de ago. de 2011

E se

E se é uma expressão da qual tenho suspeitas. Ela pode te trazer alguma prudência nos atos, porém também pode deixar-te preso a alguma coisa ou até mesmo a alguém.Procuro analisar bem minhas atitudes mas não me prendo no “ E se”.“E se der errado”? “ E se me arrepender”? “ E se eu falhar”? “E se eu sofrer”?

Se é para dar atenção a estás duas palavras, prefiro colocá-las da seguinte forma “ E se eu não tentar”?

A nossa vida é o enigma do qual não teremos todos os dados para decifrar. Como disse um amigo outro dia: - Não tens que te preocupar com tantas perguntas. Não terás as respostas.Eu sei. Contraditoriamente nunca deixarei de buscar respostas. É da minha natureza inquieta. Todavia não permitirei que isso me prenda e me impossibilite de viver.

A nossa existência, tão frágil, por mais que não admitamos às vezes, pode acabar na próxima esquina. Ou terminar com aquela dor no coração repentina. Talvez numa doença escondida...E quem sabe ao dançar uma valsa... O modo como esse dia chegará tem milhões de faces. O valioso? Aquele chimarrão compartilhado com colegas de trabalho. As risadas sinceras. As confidências... A festa onde dançamos livremente. A música que dividimos. As lágrimas que ajudamos a secar... As conversas longas...O importante é essa felicidade que temos diariamente com quem amamos. O almoço de família, o passeio no parque...O filme do qual comentamos...

Onde estarei amanhã? Isso muda conforme minha decisão, conforme o passo que dou...

Amanhã posso estar conhecendo pessoas novas. Ou posso estar escrevendo aquele email para a pessoa de quem senti saudade. Amanhã posso estar perto ou longe. Mas comigo estará um pouco de cada pessoa que conheci. Elas farão partes das histórias que dividirei, e ao sorrir nessas conversas, será como sorrir com elas também.

O “E se” fará parte dos poucos momentos que eu o permitir participar. O “ E se” não irá comigo quando partir.

11 de ago. de 2011

Mais sobre mim?

Sempre que me pedem para falar mais a meu respeito fico perdida. Nunca sei por onde começar. Mas comecemos do início como diria a rainha de copas...
A melhor maneira de me conhecer passa por conviver comigo e ler o que escrevo. De alguma forma na escrita me revelo. Porém não aja como um tolo precipitado. Nem tudo é dito diretamente. Tem dias que estou mais nas entrelinhas.
Tenho dias que me revelo através de filmes. E há os momentos que me demonstro através dos livros. E ainda existem as fases que sou pura música. Tudo muito doce e belo não é? Já disseram que sou cult. Contudo ainda há o outro lado. Há os dias que me decifro através do sexo. E tem aquelas revelações através da raiva.
Nem puta nem santa. Compreendes?
Nada perfeita. E é bom que se contente com isso. Por mais que esteja sempre tentando melhorar a perfeição me é impossível. Perfeição e humanos não coexistem juntos num mesmo corpo, assim como vinho e cerveja não dividem o mesmo copo. (Bom, pelo menos nunca tentei unir tais bebidas)...
Eu posso contar tudo que já vivi em detalhes. Posso te confessar meus erros e meus acertos. E te passar os mínimos detalhes dos meus 30 anos. Você saberia quem sou? Claro que não! Você saberia de fatos! Saberia das minhas escolhas e das consequências. Quem sou está mais além.

Decifrar-me é sua escolha. Conquistar a resposta cabe a seu mérito. Sobreviver a isso? Isso cabe ao destino....

8 de ago. de 2011

Ao som de um violino


A vibração das cordas fizeram meu coração acelerar. Na minha frente um violino era tocado. Imaginei que um dia poderia ouvi-lo, porém também pensei que demoraria muito tempo. Mas ali estava eu, numa tarde de domingo escutando um dos sons mais lindos que um instrumento pode criar.
O violino pode fazer-me sangrar. Rir. Chorar. Flutuar.
Meus olhos em vão tentavam acompanhar os movimentos dos dedos do violinista e ao mesmo tempo as cordas...
Fui quase uma criança vendo algo muito precioso. Contendo as próprias emoções.
Ao violinista meu obrigado. Nunca esquecerei o som.
Nem poderia....A música ainda vibra comigo.